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| Confusão das línguas, Gustave Doré, 1866 |
Ela: minha língua, minha terra, sobre a qual repousei e edifiquei, meu pro-nome… hoje, Babel caída.
Se pintava os lábios de rubro, estava voraz; se os brincos caíam sobre os ombros, alargando os lóbulos, acordaríamos a aurora. Se as vestes pouco a vestiam, curto era o seu humor. Quando punha os saltos, orgulhosa; se os descalçava, minha. Se calava, língua ferina mordia.
Todo eu agora sou tartamudez, sem idioma que fale e compreenda, assim como Moisés, torpe de língua. Neve caiu e a tudo cobriu e silenciou.

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