segunda-feira, 21 de abril de 2025

Xiquexique

 

 


 

 

 

Xiquexique, de Tom Zé e Wisnik, 1997, é o Hino capaz de dar corpo, cor e língua à ficção da nacionalidade, "bulir" com nosso orgulho. Esse é o Hino, e não o outro, que encerrou a primeira Olimpíada sediada no Brasil em 2016.

Após acúmulo energético (ou tesão), que procede da fricção e repetição, a música abre-se em gozo com os instrumentos de "batida", no segundo sessenta e três.

Contudo, é outro o nosso hino nacional, e se acaso chega a cumprir com o propósito de estabelecer vínculo emotivo e filial com a terra, é antes pelo discurso que o antecede e pela reiteração em ritos, que se não são fúnebres, tornam-se ao executá-lo. O poeta e músico Rogério Skylab o tem por mal escrito. Vejamos.

No hino nacional brasileiro há, especialmente, duas figuras de sintaxe: o hipérbato e a anástrofe. Os versos iniciais são construídos em hipérbato, e há um sujeito prosopopeico -- uma terceira figura de linguagem ("As margens plácidas ouviram". Aqui, organizei a oração em ordem direta). A anástrofe, por sua vez, está presente em muitos versos, um deles subsequente, como "de um povo heroico o brado retumbante", em que o determinante antecede o determinado (a ordem lógica seria esta: o brado retumbante de um povo heroico). Para que o hino seja compreendido, faz-se necessária a análise sintática; caso um texto qualquer, a fim de que possamos capturar o seu sentido, exija complexo exame, talvez ele não seja bem escrito. Por esta perspectiva, posso vir a concordar com o poeta antes referido. Porém, dominar essas inversões é despertar o poder da língua, é estendê-la sem a desconfigurar. 

 

 

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