![]() |
| Imagem retirada da internet |
São muitas as dissemelhanças entre o cinema e o teatro. A mais substancial, quiçá, seja a de que o filme cria-se em ilha de edição: os atores-operários e, portanto, os verdadeiros criadores, não vislumbram o resultado final da obra, não lhes pertence sequer a menor das cenas, pois estas podem ganhar contornos tão distintos na edição ou ser enviadas à lixeira do computador pessoal.
O filme seriado inglês "Adolescência", presente na plataforma digital Netflix, devolve ao ator-operário o que é seu (em parte, ao menos); porém, em todo ganho há também perda, ainda que não sejamos capazes de reconhecê-la. Os infortunados, os subtraídos, nesta obra, foram as intervenções laboratoriais -- e que gozo que tenha sido assim: as quatro cenas que compõem o filme foram gravadas, cada uma delas, em plano sequência (ufa!). Não há cortes, abruptos ou harmoniosos: as câmeras bailam sem cessar em companhia dos atores. Padecemos em companhia deles, fadigamos ao vê-los suspirar, transpiramos com a transpiração (não artificial) desses homens. Vivemos todos (atores e público) o mesmo tempo do relógio.
Direção do filme seriado: Philip Barantini

Nenhum comentário:
Postar um comentário