Para não padecer dos dissabores contidos nos versos:
"como é difícil acordar calado,
se na calada da noite eu me dano..."
"O genocídio da razão"
Este é o título de helena matos, portuguesa -- com certeza --, publicado no jornal Observador, em 03 de agosto de 2025.
Duas palavras tão diametralmente opostas colocadas a bailar, avizinhadas, tão contra a razão como esperar que da maldade seja possível conceber beleza, desejar que da água brote o fogo, que da educação cruenta seja esculpido o bem.
Estou como a ouvir, nessa amálgama estrambólica: antes o genocídio indígena nas Américas, o assassinato sangrento, a permitir indígenas não cristãos, com outras formas de conceber e sentir e experienciar e gozar.
Não é uma qualquer, a senhora helena matos -- uma professora de latim e português, também jornalista e colunista. Portanto, dispenso, aqui, a definição dos dois substantivos, a fim de mostrá-la o óbvio ululante: a distensão que a língua padece, a recusa dos lábios, a fratura da faringe a tentar aproximar seres díspares. Tampouco adentrarei no terreno alagadiço do disparatado (na parte e no todo) conteúdo, visto que nada pode ser edificado em terreno úmido, pantanoso; e, caso seja, é deveras uma ação imprudente. Ademais, o título é já o livro; o título é o texto. Não é o mesmo julgar o livro pela capa do que julgar o texto pelo texto.
Mas o que esperar quando se enuncia que "genocídio" possa pertencer à razão? De que razão estamos a tratar? Não estamos, ambos, a falar a língua de Camões? Coisa distinta seria se a senhora helena matos, em meio ao texto, nublada pela quantidade de palavras, assim ordenasse, assim dispusesse os conceitos...
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Não é possível beber dessa bebida amarga!
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