Estou sempre a ir e a ir (que é também um volver a volver?), a perambular pelas velhas árvores altivas, que são mais velhas em mim, a deparar-me com o mesmo e o dissílime que há no mesmo: os coqueiros-sentinelas, as casas assaltadas (física e emocionalmente); tudo está a dizer em silêncio, como no encontro entre dois amigos -- quando a palavra é antes subtração; tudo prenhe de significado. Tudo está a dizer e o tempo a dizer no tudo.
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| Fotografia: Michael |
Lembrai-vos das flores, das casas gastas, das janelas-cárcere, dos maus-tratos aos objetos, das rugas das paredes; levai luz aos brutos e britas. Sigo esse preceito bíblico, destarte, percorro quilômetros a fim de visitar uma janela tomada pela febre do sol do meio-dia.
Ora é ir de encontro à morte, ora é ir ao encontro da morte, que é a história; ora é volver à morte, ora é fazer volver a morte. Obsessão do obsessivo de tentar elaborar como narrativa aquilo que pulsa inominavelmente -- não é possível lutar com o não-ser inominável. Empunho, pois, o que está ao alcance das mãos. Se não pode ser narrado, não merece ser vivido, se não pode ser narrado, não existe. Não posso lutar contra o que não existe!




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