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Márcia está em pé, sobretudo, e esse é o atributo primeiro dos heróis e heroínas; o seu olhar repousa no horizonte.
Márcia, Aluísio, Jaqueline. Nomes, substantivos concretos que parecem, quando enumerados e sonorizados assim, des-vinculados, des-afetados – todavia há afeição e filiação se nos demorarmos (e persistirmos) na escuta.
É preciso escutar o que diz e não diz Márcia, é preciso escutar como Márcia escuta: o que escuta é significativo e revelador e, portanto, o que é escutado desvela e revela. Márcia sabe que mesmo o silêncio, a seu modo, é audível. Escutemos, pois, com o estetoscópio! Escutemos e escultemos (em nosso imaginário) a mulher que é Márcia, mas poderia ser Maria ou Joana ou ainda Francisca. Escutemos e reverberemos.
Ao Sísifo de Ticiano, a pedra o fez mais forte e não mais débil. O mesmo pode ser dito de Márcia: apesar da pedra, seus olhos permanecem vivos e assombram olhos alheios.
P.S: A obra Escuta, formosa Márcia, do autor Marcello Quintanilha, foi vencedora do prêmio Jabuti de 2022 na categoria História em Quadrinhos.
Obra publicada, no Brasil, pela editora Veneta.

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