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| Imagem retirada da internet |
100 anos desde a publicação de Trilce, do poeta peruano Cesar Vallejo.
E não posso, não suporto silenciar. Porque a poesia de Vallejo é como a um um rio que, transbordando do seu leito, tudo arrasta e destrói, porém, e por isso mesmo, deixa espaço para o novo, para a nova criação. É a experiência do dilúvio – e dos que experienciaram o dilúvio. E o que fazer, nós leitores, depois? Lembro-me da paralisia que me causou o seu texto purgante, intestinal, demasiado humano; das vozes, no meu silêncio, que atordoaram-me. Queria arrancar todos as folhas de seus livros, lembro-me, e encher os bolsos; queria estar com elas e com ele.
LVI de Trilce: “Todos os dias amanheço às cegas a trabalhar
para viver.
E tomo o café da manhã,
sem provar uma só gota.
Todos os dias.”
Aí está, atrevo-me a dizer, o pontapé ético de todos os “marxismos”, de toda revolução necessária, o ponto a partir do qual deve se estruturar a política (a política cheia, com significação).
E, talvez, para a decepção de alguns, o famoso (e encantador, pela homonímia das palavras) verso da canção brasileira “pai, afasta de mim este cálice” não é novo. Em 1937, Vallejo, motivado pela guerra civil espanhola, já o havia escrito: Espanha, afasta de mim este cálice (España, aparta de mí este cáliz). Mas isso deixemos para depois.
E não posso, não suporto silenciar. Porque a poesia de Vallejo é como a um um rio que, transbordando do seu leito, tudo arrasta e destrói, porém, e por isso mesmo, deixa espaço para o novo, para a nova criação. É a experiência do dilúvio – e dos que experienciaram o dilúvio. E o que fazer, nós leitores, depois? Lembro-me da paralisia que me causou o seu texto purgante, intestinal, demasiado humano; das vozes, no meu silêncio, que atordoaram-me. Queria arrancar todos as folhas de seus livros, lembro-me, e encher os bolsos; queria estar com elas e com ele.
LVI de Trilce: “Todos os dias amanheço às cegas a trabalhar
para viver.
E tomo o café da manhã,
sem provar uma só gota.
Todos os dias.”
Aí está, atrevo-me a dizer, o pontapé ético de todos os “marxismos”, de toda revolução necessária, o ponto a partir do qual deve se estruturar a política (a política cheia, com significação).
E, talvez, para a decepção de alguns, o famoso (e encantador, pela homonímia das palavras) verso da canção brasileira “pai, afasta de mim este cálice” não é novo. Em 1937, Vallejo, motivado pela guerra civil espanhola, já o havia escrito: Espanha, afasta de mim este cálice (España, aparta de mí este cáliz). Mas isso deixemos para depois.

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