sábado, 28 de janeiro de 2023

A libélula está morta

 

Fotografia: Michael

 

 

Nesta imagem há uma ausência, ou melhor, uma presença velada, pois imperceptível aos olhos e na fotografia (já que tampouco a câmara fotográfica pôde capturar; logo a câmara, que hoje dá mais vida ao vivo, mais realidade ao real). Essa ausência poderia se fazer presente, caso eu assim desejasse, por meio de manobra, de inserção. E que estranho seria isto: pôr o que já está posto, o que já está aí, embora invisível.

A ausência presente se avizinha, coaduna com os outros elementos perceptíveis da imagem: a luz artificial, por exemplo, que ilusiona, embriaga a libélula, e a seduz como a um olho de serpente. A libélula dança a dança da morte em torno do falso. Não é suicídio. A libélula aspira à vida em seu rodopio mortal, de morte.

O que está e não está é Aracne, a qual teceu o seu manto em silêncio e em sigilo de milênios e sabe que sob ou sobre o manto, cedo ou tarde, alguém jazerá...e os seus olhos também faíscam. 

 

 


 

Nenhum comentário:

Postar um comentário