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| Os Caprichos, n 43, de Francisco Goya |
Um pouco menos de vida a cada expiração; é audível – um assobio – o som que produz a alma ao passar por entre os lábios de Santiago. É noite e Santiago espera, intransitivamente.
Poderia, caso assim desejasse, fazer uso das pílulas conhecidas a fim de adormecer e colher os frutos da irmã da morte, amainar a espera ou postergá-la, ao menos. A espera, pensa, sonha ou justifica-se Santiago: “para quê acalmar a espera ou interrompê-la, se não posso cessá-la?” O argumento não é de todo são e é hiperbólico: pobre Santiago. Porém, Santiago espera, simplesmente. A pílula não produz o objeto da espera e nem o alguém da espera. As noites seriam, digamos, naturais, mais curtas, se esperasse por Carla, se Carla houvesse, e se estivesse ela atrasada em dias, meses ou anos, contanto que Carla existisse para que pudesse, Santiago, reinventá-la, criar cenários, diálogos, cobrá-la por seu tempo, pelos receios, o seu delírio. Caso existisse Carla, a insônia se justificaria, estaria ele, Santiago, na razão e com a razão; a insônia seria calculada e calculável; padeceria, é verdade, mas por Carla, como a um amante, como a um pai. Entretanto, não há Carla e há a espera que nada pode pre-ver, desejar, esperançar.
Noites, e Santiago espera, intransitivamente. Nessa espera, que é somente espera, não pode haver lugar; em outra espera, que não pertence a Santiago e que ele não compreende, alguém espera por algo ou por alguém em algum lugar. Santiago não tem endereço e, consequentemente, nada pode endereçar. Santiago, em sua espera, não espera o carteiro, não pode pre-(s)sentir o toque da campainha.
E na espera em que nada é esperado, as coisas vão se apequenando; a pele já não cobre, o sangue escasseia, a roupa comprime, o sapato aperta.
Comentei, certa vez, com Santiago: parece justo que não haja objeto esperado na sua espera, porém, é um impeditivo que você, Santiago, seja o esperado, que você seja o objeto da espera de alguém… Suponhamos que uma lâmina o aguarde para empunhá-la com a finalidade de executar uma vingança. Ou coisa que o valha.
Poderia, caso assim desejasse, fazer uso das pílulas conhecidas a fim de adormecer e colher os frutos da irmã da morte, amainar a espera ou postergá-la, ao menos. A espera, pensa, sonha ou justifica-se Santiago: “para quê acalmar a espera ou interrompê-la, se não posso cessá-la?” O argumento não é de todo são e é hiperbólico: pobre Santiago. Porém, Santiago espera, simplesmente. A pílula não produz o objeto da espera e nem o alguém da espera. As noites seriam, digamos, naturais, mais curtas, se esperasse por Carla, se Carla houvesse, e se estivesse ela atrasada em dias, meses ou anos, contanto que Carla existisse para que pudesse, Santiago, reinventá-la, criar cenários, diálogos, cobrá-la por seu tempo, pelos receios, o seu delírio. Caso existisse Carla, a insônia se justificaria, estaria ele, Santiago, na razão e com a razão; a insônia seria calculada e calculável; padeceria, é verdade, mas por Carla, como a um amante, como a um pai. Entretanto, não há Carla e há a espera que nada pode pre-ver, desejar, esperançar.
Noites, e Santiago espera, intransitivamente. Nessa espera, que é somente espera, não pode haver lugar; em outra espera, que não pertence a Santiago e que ele não compreende, alguém espera por algo ou por alguém em algum lugar. Santiago não tem endereço e, consequentemente, nada pode endereçar. Santiago, em sua espera, não espera o carteiro, não pode pre-(s)sentir o toque da campainha.
E na espera em que nada é esperado, as coisas vão se apequenando; a pele já não cobre, o sangue escasseia, a roupa comprime, o sapato aperta.
Comentei, certa vez, com Santiago: parece justo que não haja objeto esperado na sua espera, porém, é um impeditivo que você, Santiago, seja o esperado, que você seja o objeto da espera de alguém… Suponhamos que uma lâmina o aguarde para empunhá-la com a finalidade de executar uma vingança. Ou coisa que o valha.

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