sexta-feira, 14 de outubro de 2022

Rosa

Rosa sabe ver e ouvir a voz e a vista das coisas e das pessoas: porque cada ente é mais do que mostra: é potencial, acontecimento, frutificação, mistério… o mistério de saber que as descrições (das ciências, das ciências!) não dizem tudo; e o pouco que não dizem, é o todo. E a prosa de Rosa é cônscia de nada dizer da coisa e, se algo anuncia, é a inesgotabilidade de sentido e dos sentidos… coisas prenhes de significação.

Hoje finalizei mais uma novela do livro Corpo de Baile, e intento, aqui, dizer o indizível na certeza de ter de redizer. Dizer coisas novas sobre o mesmo. Em Corpo de Baile (1956), escrito após um hiato de dez anos – Sagarana foi escrito em 1946 --, o Rosa, à força de esperar, avermelhou. Em corpo de Baile, a sua prosa tornou-se sua, própria, natural. Fez-se uma nova linguagem.

Agradeço ao amigo Thiago, que deu-me mais vida ao dar-me Rosa.

Trecho da novela Miguilim: “Repensava aquele pensamento, de muitas maneiras amarguras. Era um pensamento enorme, aí Miguilim tinha de rodear de todos os lados em beira dele.”

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