Diz-se de fulano que ele “lavou as mãos”. Portanto, que já não é responsável. É possível, porém, deixar de sê-lo, digo, deixar de ser responsável por mim, pelo outro, por nós? Lavar as mãos também é ato de purificação – na tradição muçulmana, chama-se ablução ou abdesto. A purificação é experienciada física e mentalmente; caso não creia, pergunte ao que padece de transtorno obsessivo compulsivo.
Por que lavar as mãos? Algo deve ser preservado?, extirpado? O sicrano pergunta: e por qual motivo não lavá-las? Ora, são perguntas distintas. A primeira exige uma vontade, desejo, uma lei.
Sobre a arte de Skylab, por enquanto, desejo dizer que há um deslocamento das palavras e das coisas… aparentemente não estão onde deviam estar – e nisso há encantamento, coragem e teoria. Afinal, uma banana no museu pode dar o que pensar, falar e sentir. Pretendo, sim, alongar o monólogo, mas depois de ouvir o som nervoso (nervoso som)e, em seguida, lavar as mãos. Até.
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