sábado, 30 de janeiro de 2016

Eu também vou embora


Estou numa ponta da praça e eles na ponta oposta. A mãe é um tipo gorda, indiscreta, impaciente, chegando mesmo a ser hostil. O filho, por sua vez, evoluiu os maus hábitos da mãe. Parece não ter qualidades, não merecer elogios, embora seja pequeno.

A mãe, que nada carrega nas mãos e mantém um olhar constante ao redor da praça, tenta continuar sentada.  O filho corre sem parar, geralmente em direção aos carros que trafegam. Ele dá sorte, pois os motoristas, em plena quinta-feira, ainda não estão bêbedos. Está frio, mas não sabemos se o suficiente para usarmos agasalho.

A criança, em dado momento, aproxima-se de mim. Parece querer afeto, parece querer chorar. Eu a chuto. Ela retorna ao espaço da mãe.

A senhora gorda vai embora, sozinha. A criança chora, chora com força, algo que me incomoda. A mãe não parece estar disposta a voltar e nem mesmo a se incomodar com o meu incômodo ou o choro do filho.

Pago a cerveja e também vou embora.

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