Gorete sempre foi uma prostituta furiosa dentro de um universo com duas possibilidades: a raiva ou a pieguice. Oferecia aos clientes sexo selvagem, com posições excêntricas. Dizia ela que as sentimentais, de principal característica o gemido, não sobreviveriam ao mercado porque o espaço familiar cumpria este papel social. E nenhum homem em sã consciência iria pagar para comer o mesmo pão de ontem com ovo que havia em demasia na sua residência. Eles gostavam de apanhar, ela dizia, e de pagar caro por isso. O ápice da luxúria para o homem é uma feia raivosa cobrando duas vezes mais que uma putinha tímida no salto, ela dizia. Gorete dizia muitas coisas, como se vê.
Os traços masculinos eram fortes, e talvez por isso a renda obtida era o dobro das demais meninas. Conquistava dois públicos: os homens e os não tão homens; os últimos por ser bem versátil. Também não era educada, e esse representava o maior contraste se comparada com as putas da rua 68 – por pouco o número não possibilitou uma relação de mau gosto. Todas eram educadíssimas, falavam duas línguas, o diabo.
Certa feita –- conto porque estava presente — pretendeu um cartão de uma loja de roupas conhecida na cidade. Ao ser perguntada pela profissão que exercia, respondeu com um bramido que era PUTA, PUTA, PUTA. O atendente, que já havia ruborizado, educadamente fez sinais de não compreensão. Ela, por sua vez, detalhou o sexo que realizava por "din din". A loja toda se entusiasmou. Eu ao menos.
Gorete tinha uma pulsão ao suicídio. Portas de carros em movimento: a sua tentação. Um desejo ardente de se jogar. Às 7:45 da manhã de uma segunda-feira, dentro de um Monza com velocidade média de 60km/h, realizou o desejo inconsciente. O que a matou, porém, foi um caminhão que passava no exato momento a uma velocidade de 120km/h.
Os traços masculinos eram fortes, e talvez por isso a renda obtida era o dobro das demais meninas. Conquistava dois públicos: os homens e os não tão homens; os últimos por ser bem versátil. Também não era educada, e esse representava o maior contraste se comparada com as putas da rua 68 – por pouco o número não possibilitou uma relação de mau gosto. Todas eram educadíssimas, falavam duas línguas, o diabo.
Certa feita –- conto porque estava presente — pretendeu um cartão de uma loja de roupas conhecida na cidade. Ao ser perguntada pela profissão que exercia, respondeu com um bramido que era PUTA, PUTA, PUTA. O atendente, que já havia ruborizado, educadamente fez sinais de não compreensão. Ela, por sua vez, detalhou o sexo que realizava por "din din". A loja toda se entusiasmou. Eu ao menos.
Gorete tinha uma pulsão ao suicídio. Portas de carros em movimento: a sua tentação. Um desejo ardente de se jogar. Às 7:45 da manhã de uma segunda-feira, dentro de um Monza com velocidade média de 60km/h, realizou o desejo inconsciente. O que a matou, porém, foi um caminhão que passava no exato momento a uma velocidade de 120km/h.
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