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| Pintura de Kurt Günther |
Quiçá seja apenas uma impressão errônea, mas mesmo o erro pode conter uma verdade: a rádio escuta menos [os ouvintes], sobretudo a brasileira.
A voz, e sua pessoalidade; a voz, e seus tremores e temores; a voz, e seu veneno... a voz foi vencida pela impessoalidade do texto [e-mails, escrita enviada por aplicativos de mensagem] e do áudio gravado, corrigido, desvinculado e controlado [censurado?].
Não estou a reivindicar a estaticidade, antinatural, a corpos dinâmicos. Porém, há, no rio, algo que se conserva -- que é o fluir das águas; caso estas deixem de seguir o seu fluxo, o rio deixará de ser rio e passará a ser lago, talvez poça.
Qual o elemento que pertence ao rádio, que lhe é próprio, sem o qual o rádio deixará de ser o que é?

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