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| Lamp Ligth, 1890, Harriet Backer |
Joana pouco dormiu, acordou e não sonhou -- sonhar é um privilégio. Tragou um café quase quente, engoliu um pão melhor dormido. Aquele era o dia de seu aniversário.
Presentearam-na, no trabalho, com um bom-dia cuspido. Oito horas a costurar sobre a máquina, mas era ela a ser pela máquina costurada; a máquina debruçava-se sobre ela, pesava-lhe. Se antes do amanhecer comera pão, agora Joana é pão a ser comido, com uma distinção: comera para não morrer, comem-na para engordar.
O sol já está deitado quando caminha de regresso a casa. Como na canção de Schonberg, envergonha-se hoje do sonho que sonhou outrora.
Presentearam-na, no trabalho, com um bom-dia cuspido. Oito horas a costurar sobre a máquina, mas era ela a ser pela máquina costurada; a máquina debruçava-se sobre ela, pesava-lhe. Se antes do amanhecer comera pão, agora Joana é pão a ser comido, com uma distinção: comera para não morrer, comem-na para engordar.
O sol já está deitado quando caminha de regresso a casa. Como na canção de Schonberg, envergonha-se hoje do sonho que sonhou outrora.

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