O Título que encabeça o texto é, em verdade, um verso do poeta peruano César Vallejo. Não à toa! Vallejo: latino-americano, peruano, portanto, como todos nós, tatuado pela colonização europeia. Ousaríamos perguntar, hoje, o que foi a colonização europeia na América? Conforme os registros históricos, uma façanha monumental, gloriosa vontade de poder e conquista, expansão intelectual e, consequentemente, territorial. Mas se os europeus tivessem escolhido sentar, assim, como quem nada quer, no século XV? Evitariam o maior genocídio da história humana, o que não é coisa de pouca monta.
O animal, mediante um estímulo externo, reage imediata e espontaneamente. Coisa distinta, dizem, é o homem. Neste há uma pausa entre a recepção sensorial e o agir – ou não agir. Porque o homem é um animal simbólico, que é dizer o mesmo que um ente de relações – sígnicas, e, quiçá, humanas.
II
Transportes mais velozes, produção mais eficiente já que mais célere: e manobrando uma coisa e outra, o homem, produzindo bens ou consumindo bens/produzindo e consumindo bens. O homem, infatigável, sempre em movimento. São palavras-chave do comercial publicitário na tevê: “experiencie”, “viva”, “sinta”, “descubra”...um novo carro, estilo, paisagem, identidade. Convites para a ação. Segundo Bauman, o corpo pós-moderno é um coletor de experiências e sensações.
Na peça Esperando Godot, de Samuel Becket, uma personagem indaga a outra: “estamos sempre achando alguma coisa para dar a impressão de que existimos?” Na pós-modernidade não existe objetivo, meta – havia na modernidade? Agora, apenas a ação de caminhar, e sem assento à vista.
Bauman, ao avaliar o que chama de pós-modernidade, identifica a relação do fornecedor de bens e o coletor de sensações. Segundo o autor: “Nem um nem outro estão, pela natureza de seu ser-no-mundo, dispostos a se engajar num ordenamento espacial moral.” Isto porque o fornecedor de bens, para produzir o que almeja, vê em tudo e em todos matéria manuseável; e o coletor de sensações/experiências usa o outro, por exemplo, como meio de gozo subjetivo – gozo que precede outro maior e mais satisfatório. Não convém, pois, a nenhum deles a moral, a responsabilidade com o outro como outro.
O tempo não para. E por isso o corpo está sempre vestindo um relógio de pulso. É preciso viver, experienciar, sentir, produzir. Não há mais residência ou casa, os espaços são unicamente transitórios (um meio para), como as pessoas.
“Amadas sejam as pessoas que se sentam.”
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