Como quem sai para comprar uma
dúzia de pães franceses, Lauro, após um banho breve e pouco higiênico se
dirigiu a uma vídeo locadora em busca de prazer. A passos sonolentos, desfilou
por esquinas sombrias e entre assobios.
Ivete, a atendente muito dada, de
curvas sinuosas e intelecto capaz, não produziu nenhum efeito em Lauro, que
observava títulos do cinema reverenciados internacionalmente. O seu interesse,
suponho, não se encontrava naquela seção serena, pois assim que Ivete deu-lhe
um tempo, este escapou para títulos mais ousados e de classificação restrita.
Conseguiu, ainda que pareça
óbvio, desfrutar por horas a fio, ainda que sem desejo sexual, imagens de nudez: suvenires cheios de apetite e sem discrição que se exibem nas
vidraças das lojas. Teve, por fim, a
cautela de se retirar com Repulsa ao Sexo, de Roman Polanski, por sobre Suruba
no Carnaval e Festa no Apê.
Em plena quarta-feira, em plena
final do Clássico-Rei, Lauro assistiu o ir e vir dos lençóis com um próprio
gesto repetitivo. Nessa noite Lauro não
dormiu feliz.
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