quarta-feira, 29 de julho de 2015

Lauro, o estranho


Como quem sai para comprar uma dúzia de pães franceses, Lauro, após um banho breve e pouco higiênico se dirigiu a uma vídeo locadora em busca de prazer. A passos sonolentos, desfilou por esquinas sombrias e entre assobios. 

Ivete, a atendente muito dada, de curvas sinuosas e intelecto capaz, não produziu nenhum efeito em Lauro, que observava títulos do cinema reverenciados internacionalmente. O seu interesse, suponho, não se encontrava naquela seção serena, pois assim que Ivete deu-lhe um tempo, este escapou para títulos mais ousados e de classificação restrita. 

Conseguiu, ainda que pareça óbvio, desfrutar por horas a fio, ainda que sem desejo sexual, imagens de nudez: suvenires cheios de apetite e sem discrição que se exibem nas vidraças das lojas.  Teve, por fim, a cautela de se retirar com Repulsa ao Sexo, de Roman Polanski, por sobre Suruba no Carnaval e Festa no Apê. 

Em plena quarta-feira, em plena final do Clássico-Rei, Lauro assistiu o ir e vir dos lençóis com um próprio gesto repetitivo.  Nessa noite Lauro não dormiu feliz.

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