quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Ser adulto


Antes, quando criança, achava que homem, adulto, conversava sobre coisas de adulto. Mas não. A seriedade para nós está na mera feição, na construção quase dramática de permanecermos de olhos bem arregalados e centrados, mãos ao queixo e um leve balancear da cabeça, para base de prova que não estamos num estado de sonambulismo. Estamos, de fato, à espera que o outro se cale o mais rápido possível para iniciarmos o assunto que deveras é importante, para nós. 

Achava que riam, apenas, de coisas abundantemente engraçadas, pois para crianças já crescidas, mas ainda crianças, economizavam no gesto. E crianças não poderiam ser em demasia engraçadas, pois para isso precisavam ser adultas.  

Eu, por exemplo, não sorrio há anos. Os adultos, bem o sabem, que dentes à mostra não representam, de maneira alguma, algo engraçado. Sorrir é ser sem pudor, é jogar-se no chão sem drama, é a descompostura insólita. Coisas que já não mais fazemos. 

Tenho, por seguro, que a cada dia quero ser mais criança, sobretudo porque ser adulto é tão... infantil.

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