Antes, quando criança, achava que homem, adulto, conversava
sobre coisas de adulto. Mas não. A seriedade para nós está na mera feição, na
construção quase dramática de permanecermos de olhos bem arregalados e
centrados, mãos ao queixo e um leve balancear da cabeça, para base de prova que
não estamos num estado de sonambulismo. Estamos, de fato, à espera que o outro
se cale o mais rápido possível para iniciarmos o assunto que deveras é
importante, para nós.
Achava que riam, apenas, de coisas abundantemente engraçadas,
pois para crianças já crescidas, mas ainda crianças, economizavam no gesto. E
crianças não poderiam ser em demasia engraçadas, pois para isso precisavam ser
adultas.
Eu, por exemplo, não sorrio há anos. Os adultos, bem o
sabem, que dentes à mostra não representam, de maneira alguma, algo engraçado. Sorrir
é ser sem pudor, é jogar-se no chão sem drama, é a descompostura insólita. Coisas
que já não mais fazemos.
Tenho, por seguro, que a cada dia quero ser mais criança,
sobretudo porque ser adulto é tão... infantil.
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