Grito por você, levanto e
cumprimento-te com dos beijos rápidos, que não machucam e não nos causam
estranhamento. Você, por sua vez, num gesto de pouco movimento dos lábios
carinhosamente me chama pelo nome, mas não escuto e se vê obrigada a repeti-lo. Iniciamos, desta maneira, a nossa bendita conversa
idealizada anteriormente frente ao espelho, e também nos sonhos despertos e
dispersos, suando como quem se humilha. Os meus diálogos, todos, foram de uma
clareza e perfeição de régua, matemática. Tenho por mim que os seus ainda foram
mais perfeitos, mesmo não podendo afirmar. Eu aqui estou a poucos metros de você, e nada
posso afirmar. Penso, porém, que pensa em mim. Penso que me olha assim como te
olho. Penso que nos falta coragem. Penso, e só nisso a partir de hoje quero
pensar, que assim conversamos e nos amamos.
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